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Postado por Linho.
Os jornais que circularam nesta quarta (28/10) publicaram de maneira tímida que, segundo a conclusão final da Polícia Federal, a causa decisiva do desastre da TAM em julho de 2007, em São Paulo, foi a posição incorreta do manete direito, que controla a potência da turbina direita do avião. Agora.
Mas nos dias que se seguiram à tragédia, o comportamento da mídia não foi assim.
Na época, montou-se um palanque de horrores permanentes maior que o número de mortos. Na televisão, nos periódicos, nas revistas, os especialistas pulavam de alegria diante de mais uma desgraça onde o culpado seria o governo brasileiro, em especial o Presidente Lula. Repórteres obedientes à orientação da pauta, articulistas que viraram autoridades, mais pareciam agentes funerários. A Folha de São Paulo publicou essas em 19 de julho:
“O que ocorreu não foi acidente, foi crime!
Gostaria imensamente de ter minha dor amenizada por uma manchete que estampasse, em letras garrafais, ‘GOVERNO ASSASSINA MAIS DE 200 PESSOAS’. O assassino não é só aquele que enfia a faca, mas o que, sabendo que o crime vai ocorrer, nada faz para impedi-lo. O que ocorreu não pode ser chamado de acidente, vamos dar o nome certo: crime…. Talvez o presidente não se importe tanto, afinal, quem viaja de avião não é beneficiário de sua bolsa-esmola, não faz parte do seu particular curral eleitoral cevado com o dinheiro que ele arranca de nós. Devem fazer parte das tais ‘elites’, que é como ele escarnece da classe média que faz (apesar do governo) o país crescer”.
E mais se dizia:
“Incompetência, imprudência, tragédia. A despeito das causas do acidente com o Airbus A-320 da TAM, o desastre potencializa a crise da aviação civil, escancara a precariedade do transporte aéreo brasileiro e torna ainda mais urgente uma redefinição ambiciosa e profunda do sistema. É inacreditável que reiteradas demonstrações de inépcia, ao longo de dez meses de crise, não tenham rendido nenhuma demissão no alto escalão do governo Lula”, no editorial.
Portanto, com a conclusão final da Aeronáutica e da PF, caiu por terra a “prova irrefutável” do então repórter do Jornal Nacional, Rodrigo Bocardi, que demonstrou, de forma categórica, que uma poça d’água da espessura da moeda de um Real (lembram-se?), ali depositada pela incompetência do Presidente Lula, tinha sido a causa da tragédia.
Não dá mais para responsabilizar o Presidente Lula, como, na ocasião, fez o Governador José “Pedágio” Serra .
Veja o que ele disse, na hora do desastre:
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), esteve à noite no aeroporto de Congonhas após o acidente com o avião da TAM e afirmou que “todos tem muito o que lamentar, o que chorar”, e que a cidade “está de luto”. Apesar de afirmar que ainda era cedo para falar em causas, o governador disse que, para ele, o acidente foi uma tragédia anunciada. (…) “Ouvi dizer que muita gente achava isso. Inclusive eu. Mas tem que investigar com serenidade. E trabalhar para que isso não aconteça de novo”. (…) O governador também falou sobre os problemas dos aeroportos no Estado. “A questão aeroportuária tem que passar por um reexame. Essa não é uma responsabilidade nossa. É Federal. Mas, como governo, nós vamos dar nossa opinião.” (Folha de S.Paulo. 18/7/2007)
Inclusive em alguns jornais de Indaiatuba (alguns com posicionamento equilibrado), foram publicadas cartas e e-mail’s, por exigência de “irados” de leitores e ouvintes de Míriam Leitão, Alexandre Garcia, Willian Boner, Sardenberg, e eleitores de José Serra, determinando e condenando, sem direito à apelação, que o culpado pela tragédia era “esse presidente incompetente”.
Será que, agora, vão se retratar da mesma forma “irada”?





