Discurso do Vereador Linho proferido na tribuna do Plenário Joab José Puccinelli durante a Palavra Livre da 22ª Sessão da Câmara Municipal de Indaiatuba, realizada em 15 de Agosto de 2016:

Senhor Presidente; Nobres Vereadores que aqui permanecem; companheiros da Imprensa, em especial Jean Martins do Mais Expressão, palmeirense de longa data, Fábio Alexandre do Tribuna de Indaiá, corinthiano, Patrícia Lisboa, com quem estive no sábado na missa de um ano de passagem do seu esposo Gabino, fizemos as orações pela memória dele, e também Simone, Assessora de Imprensa da Casa; cidadãs e cidadãos que aqui permanecem, em especial esse senhor de chapéu, agora vocês sabem a origem do chapéu na minha família, vem de algumas gerações.
Eu quero fazer menção a algumas questões aqui e citar de início uma matéria publicada na Tribuna de Indaiá, da lavra da jornalista Adriana Lourencini sobre uma questão que a imensa maioria da sociedade não tem conhecimento, mas que é importantíssima. Eu recebi um e-mail há tempos atrás, até em forma de denúncia, porém como o próprio e-mail já explicitava que a questão também tinha sido levada para o Ministério Público eu respondi que acompanharia as investigações se fosse o caso, e de fato o Ministério Público abriu um Inquérito Civil, esse Inquérito está tramitando, e agora vem para a população por meio da Imprensa essa questão.
Trata-se de falhas estruturais nos nossos cemitérios. O órgão que fez a denúncia é a Associação Paulista de Gestão da Água. Essa entidade sem fins lucrativos faz vários levantamentos em várias regiões do estado de São Paulo sobre a situação dos cemitérios. É muito simples de entender. Até tempos atrás existiam os lixões, há cerca de vinte anos atrás Indaiatuba deixou de ter um lixão e passou a ter um aterro sanitário. Existe inclusive uma Lei Federal que fixou o ano passado como limite para o fim dos lixões e implantação dos aterros. Grande parte dos municípios não atenderam a Lei, não tendem. E não atendem inclusive porque existem cidades como Indaiatuba, que tem um aterro particular, e que há anos não recebe resíduos sólidos produzidos apenas em Indaiatuba. Trocando em miúdos: lixo produzido em outros municípios são despejados aqui em Indaiatuba.
Eu fiquei sozinho batendo nesta questão em 2010 quando veio à tona através de matéria da TV regional. Na verdade, lá em 2006, 2007 quando a empresa permissionária pedia a prolongação da vida útil do aterro, ela já admitia que havia estudo e que resíduos sólidos de outros municípios poderiam vir para cá. Ou seja, num raio de 76 quilômetros ainda era viável economicamente, e vem materiais de outros municípios e são depositados em Indaiatuba. A cidade não ganha absolutamente nada com isso, o passivo ambiental é nosso, fica aqui. Mas os outros prefeitos se livram, e fazem até mesmo propaganda, inclusive nesse período, que nos seus municípios não tem lixo.
Agora, nós temos os cemitérios, que a exemplo dos aterros, também tem regras. O lixo, todo mundo sabe, é só as pessoas prestarem atenção no que colocam nos sacos e imaginem a parte orgânica desse material orgânico, ele com o passar do tempo forma um líquido altamente contaminante: o chorume. Ele é cancerígeno até. E antes se colocava os lixões, o lixo ficava ali dias, meses, o ano todo. Aqui em Indaiatuba era ali onde é o atual Ginásio Municipal de Esportes. O chorume penetra o lençol freático e contamina a água. Nós tivemos uma pequena contaminação aqui no antigo lixão. Com o aterro é feita toda uma drenagem, uma impermeabilização, que são os cuidados necessários para que esse chorume não caia no lençol freático, na água que depois é consumida.
A mesma coisa ocorre no cemitério. O cadáver, com todo respeito aos mortos, ele vai se decompondo, ele é uma matéria orgânica, e também forma um chorume, o chamado necro-chorume, que também é poluente e pode atingir o lençol freático. Nos nossos cemitérios não foi feita qualquer adequação. Essa Associação que fez o estudo levou a denúncia ao Ministério Público e está aberto o Inquérito que trata desse assunto. Para que se tenha uma ideia, um cadáver depois de totalmente decomposto produz trinta litros desse chorume. Então nós vamos acompanhar, porque o fato de ter chorume que contamine não significa que aqui em Indaiatuba está contaminado. A Associação levou ao Ministério Público que existem várias medidas que devem der tomadas como precaução. A Associação esclarece ainda que quando há a contaminação pode haver a proliferação de Febre Tifóide, de Hepatite e várias outras doenças.
Então a matéria é importante porque traz para a população essa preocupação, mas não é questão de se alarmar. Vamos aguardar, vamos ver os levantamentos, a Prefeitura também me parece que está demonstrando boa vontade para resolver a questão. Então me parece que é um trabalho conjunto para que possamos evitar problemas, vamos torcer para que seja isso.
Também tem a questão do Conselho Tutelar que eu já disse aqui quando do debate do Projeto, é preciso avançar muito e a própria Tribuna também faz matéria da lavra dessa mesma jornalista já colocando que o novo Conselho Tutelar não tem data para ser implantado. É por isso que chamei a atenção aqui, não adianta aprovar uma Lei que autoriza a implantação se não tem a implantação de fato. Mas vamos também aguardar.
E eu quero terminar aqui dizendo que a nossa sociedade, da forma como está, os seus estratos, e eu quero estar errado, Vereador César, porque não falo só de Indaiatuba mas do país todo, nós estamos caminhando aceleradamente para uma divisão irreversível de grupos na sociedade.
Eu ilustro isso com a antiga Iugoslávia, formada a força logo após a Segunda Guerra Mundial, quando um líder de um dos grupos étnicos da região concentrou o poder, contou com a ajuda da União Soviética e forçou todos esses grupos étnicos que tinham diferenças violentas entre si a ficarem confinados num só país chamado Iugoslávia. Passou para a órbita dos novos sovietes, e até o final dos anos 1980 essas diferenças étnicas foram sufocadas. Com a queda do regime comunista na União Soviética e a sua fragmentação, essas etnias explodiram o seu ódio, e aí nós tivemos a Guerra do Kosovo, a Guerra da Sérvia, é só pegar num livro básico de História que é possível de se entender. Fala-se em 1 milhão de mortos nessas guerras. Atrocidades cometidas por grupos étnicos contra outros grupos étnicos inimigos. Depois dessa violência toda, o que era um único país se fragmentou formando o que hoje são Sérvia, Montenegro, Macedônia, Croácia e todos esses países minúsculos muitas vezes e até empobrecidos. Mas a tensão continua.
No nosso país a coisa é muito grave, por questões políticas, por questões raciais, por questões ideológicas, por questões religiosas. Notem que a Câmara Federal tem lá: a Bancada da Bala, a Bancada do Boi, a Bancada Evangélica e assim por diante. Notem a divisão. Cada uma olhando para o seu próprio umbigo ou daquele grupinho pequeno que o colocou numa cadeira de Deputado ou de Senador e isso está se espalhando por Câmaras Municipais, atingindo prefeituras e até órgãos estaduais, que dirá então os Ministérios, e isso é muito perigoso. A ponto inclusive de se colocar como virtude de pai, na comemoração de ontem, a aversão a certo partido político. Onde vamos parar?
Então fica aqui o meu apelo para que haja união. As divergências, as diferenças, são próprias da Democracia, mas também a unidade do país, o respeito às instituições, o respeito às opiniões também tem que prevalecer. Senão nós não teremos um país, nós teremos um território todo fragmentado dividido entre Nordestinos, Sulistas, Paulistas…
Estive em Minas Gerais no ano passado e em um dos grandes jornais do estado a manchete estampava: avança o movimento separatista de Minas Gerais. Aqui em São Paulo um movimento quer separar o nosso estado do restante do país também. Cada um olhando para os seus próprios interesses, mas não param para pensar quem é que construiu esse país. Fomos todos nós.