Discurso do Vereador Linho proferido na tribuna do Plenário Joab José Puccinelli durante a Palavra Livre da 23ª Sessão da Câmara Municipal de Indaiatuba, realizada em 22 de Agosto de 2016:

Senhor Presidente em exercício, Vereador Hélio; Vereadores que aqui permanecem; companheiros da Imprensa; jornalista Patrícia Lisboa, a quem cumprimento de público pela passagem de mais um aniversário, sei da sua luta, sei da sua história, sei da sua capacidade e sei principalmente nesse momento da sua vontade de recomeçar tudo, você conseguirá, fique com esta certeza; e também o jornalista Fábio Alexandre que em nome da Tribuna está sempre presente aqui, já faz tempo que cobre as atividades da Casa e é também um exímio fotógrafo, cobre com presteza os acontecimentos sociais de Indaiatuba; a nossa querida sempre presente companheira do “Voto Consciente”, e eu repito, quem quer votar corretamente para Vereador entre no site desse movimento “Voto Consciente” ou acompanhe já o relatório de todos os anos com o trabalho dos Vereadores da Câmara de Indaiatuba, é um trabalho minucioso e eu diria que é o melhor trabalho de identificação da produtividade das posições e das propostas dos Vereadores em toda a história de Indaiatuba, e não exagero em dizer isso porque sou historiador e sei o que digo nesse sentido; também quero saudar a presença aqui das cidadãs e cidadãos e principalmente das cidadãs e cidadãos que desde a semana passada podem comparecer à Câmara Municipal e saber tudo o que está sendo dito aqui através da professora tradutora de Libras, e que nós Vereadores saibamos respeitar a presença de todos e todas aqui.
Eu queria dizer aqui que ontem depois de 38 anos eu retornei a um lugar onde passei 1 ano da minha vida, inicialmente não porque queria, mas depois passei a querer ficar lá para onde fui levado, fora da minha cidade, fora da minha casa e distante da minha família, dos meus amigos e da minha escola. Eu me refiro ao Regimento Deodoro, o quartel do Exército aqui em Itu, para onde eu fui levado em 3 de janeiro de 1978, quando deveria ter sido levado para lá no dia 3 de fevereiro. Era em plena ditadura militar.
Eu era um jovem de esquerda, com 18 anos, estudante, já militante político, numa época em que era proibido fazer política no Brasil, era tudo proibido. Era tudo tão proibido em política que nem os partidos políticos poderiam ter seus nomes começados pela palavra “partido”. Tínhamos duas agremiações políticas: a ARENA, Aliança Renovadora Nacional, que era a fachada que os militares utilizavam para governar esse país dentro da Emenda Constitucional de 1969; e o MDB, Movimento Democrático Brasileiro, que o povo apelidou de “manda brasa” e que nada tem a ver com o PMDB de hoje, aquele sim era o velho MDB “de guerra”. Esse hoje, me desculpem os companheiros, estou falando do ponto de vista histórico, não guarda qualquer ligação.
Eu voltei àquele quartel 38 anos depois que passei por lá, e revi vários e vários companheiros da minha juventude. Conversei com Oficiais daquela época que também foram visitar, conversei com Praças, com Sargentos. Conversei inclusive com o Sargento Camacho, que era o comandante da Peça de Artilharia Antiaérea e que era o responsável por fazer a mira em direção e eu disparava esse canhão, e naquele ano, em 1978, eu consegui uma “façanha” que há 31 anos não se acertava o alvo no treinamento real de tiro antiaéreo, eu acertei o avião de controle remoto, que viaja a cerca de 120 quilômetros por hora. É mais difícil acertar aquele do que o real.
Conversando com várias pessoas tive o prazer de ser apresentado ao Coronel Comandante e cometi uma gafe até, porque quando fui apresentado a ele, que estava com a farda camuflada, mais baixo do que eu, até mais magro do que eu, e claro, com uma cara de moço ainda, eu até achei que fosse um soldado que estava cumprimentando o Sargento da Reserva, mas era o Comandante do Grupo. Depois eu me desculpei com ele e nós rimos, ele até disse que tem uma propriedade aqui em Indaiatuba.
Eu estou contando tudo isso porque conversando com pessoas que se aposentaram no Serviço Militar me confirmaram o seguinte: o salário dos militares foi algo de um ajuste e de aumento real dentro do Governo Lula e continuado em parte dentro do Governo Dilma; as três Armas das Forças Armadas, a Marinha, o Exército e a Aeronáutica, sofreram uma reequipagem que nem sequer dentro da ditadura militar se viu.
Ou seja, os Governos petistas na história do Brasil foram os que mais equiparam as Forças Armadas brasileiras. E no entanto ainda tem gente sem noção nenhuma que fica pela rua berrando com faixas: “Intervenção Militar Constitucional”. Dá pena. Quer dizer, o Governo que é tão criticado por estes, é o que mais fez pelas Forças Armadas. Isso está registrado, está na história e jamais se vai apagar. E eu conversando com alguns amigos disse que sempre fui um homem de esquerda, e eles respondiam: “é o único amigo petista que eu tenho”. Claro que era uma brincadeira deles, mas eles tem uma visão mais ligada aos valores da direita, não que sejam obrigatoriamente de direita, mas eu fiz questão de dizer e fui obviamente compreendido e apoiado. Eu como homem de esquerda estive lá e servi ao Exército brasileiro, não servi a ninguém de esquerda, não servi a ninguém de direita, muito menos aquela direita que torturava e matava. Não. Eu servi ao Exército do meu país e faria tudo de novo.
Então foi muito importante essa visita, não só pelo simbolismo de uma volta, pelo retorno, aquilo que fiz lá dentro. Os prédios ainda são os mesmos, mas a equipagem é completamente diferente. Naquela época os soldados eram transportados em caminhões. Hoje não, são ônibus que confortavelmente transportam esses soldados. No sábado mesmo eu estava indo para São Paulo pela Bandeirantes e no sentido contrário havia um comboio enorme do Exército, e principalmente com ônibus. Eu acho até que era parte do destacamento de segurança das Olimpíadas. Então eu fiquei muito satisfeito até de ver os equipamentos que hoje trazem conforto até para os soldados, mudando aquela visão de que soldado era só para obedecer e não tinha nenhum direito, ao contrário, através de iniciativas do Presidente Lula todos os Recrutas saem das Forças Armadas com alguma formação técnica, naquela época não era nada disso, muito pelo contrário. Faltava tanta verba na época que lá pela metade do ano os soldados já eram dispensados até para almoçar em casa, para economizar.
Fiquei muito satisfeito com o que vi, e principalmente por rever os companheiros. Também é interessante notar que os Comandantes das unidades militares são cada vez mais jovens, quer dizer que aqueles Comandantes já estavam lá há décadas foram honrosamente colocados na Reserva e se abriu espaço para jovens Comandantes. Eu acho que a Guarda Civil de Indaiatuba deveria se guiar nisso, nós temos um problema sério aqui que é a falta de vagas para promoção dos Guardas Civis. Eu acho que seria um exemplo.
Eu quero também falar sobre o Editorial da Tribuna que diz em linhas gerais, que a situação da economia está melhorando, e está sim, nós dizíamos que iria melhorar. Até aí não há novidade, não é uma crítica. Mas eu faço um link com uma matéria da própria Tribuna, da lavra da jornalista Adriana Lourencini, em que se coloca o desempenho das vendas no dia dos pais, e se coloca a palavra de um comerciante aqui da cidade, representante de classe, uma palavra perfeitamente equilibrada, mas também tem a opinião de um famoso economista de Campinas, da Associação Comercial, que diz que desde junho já se notam melhorias. Mas como desde junho se um pouquinho antes pessoas como essas diziam claramente que tudo estava piorando e que tudo indicava que até o final do ano a economia ia continuar afundando? Como é que num passe de mágica, em apenas dois ou três meses do afastamento da Presidenta legitimamente eleita os senhores mudam esse país? Economia não muda assim não. Se já estava mudando desde junho, por que é que a mídia desde aquela época não divulgou isso? Por que se insistia em dizer, naquele catastrofismo, de que o Brasil iria para o buraco mais ainda? Que mídia é essa? Que informação é essa?
Então as máscaras das matérias daquela época estão caindo, e o catastrofismo agora foi substituído por “tá tudo bem”. Não, espera aí. Se a economia para melhorar se baseava no afastamento de uma Presidenta eleita, que fundamentos tem essa economia? É do tipo: não gostei dela por isso não vou gastar? Isso me faz lembrar uma coisa que acontece comigo. Eu não gosto de comida japonesa, sabe por que? Porque eu nunca comi. As pessoas dizem que não gostam do Governo da Presidenta Dilma, mas porquê? Porque ouviu dizer que não é bom. Quer dizer que 54 milhões de pessoas nesse país erraram, a maioria errou. Desculpa, mas não dá mais para aceitar esse tipo de coisa.
Aliás, o próprio apartamento que diziam ser do Presidente Lula, a própria Polícia Federal não indiciou nem o Presidente e nem a sua esposa, e a gente dizia exatamente disso.
E para terminar, eu quero falar sobre uma matéria do Votura sobre multas de propaganda eleitoral, multa da qual inclusive o candidato da situação está recorrendo ainda. É preciso que fique bem claro para todos os candidatos o que pode e o que não pode na campanha, e a própria Justiça também tem que definir, porque na reunião com o Juiz Eleitoral a Presidente do nosso Partido Daniela Pellizzari esteve presente, um assessor meu também esteve presente e ficou definida uma séria de proibições, mas é preciso ficar claro: vai poder usar carro de som? Porque essa Casa aqui aprovou uma Lei e o único que votou contra se não me engano foi o Vereador Derci, e apresentou a sua justificativa, está muito tranquilo. Agora, todos aqueles que votaram a favor, inclusive eu, e eu sempre fui contrário a carro de som para vários tipos de propaganda, não podemos agora ser incoerentes e colocar carro de som na campanha. E eu vou cobrar isso, seja candidato a Prefeito, seja candidato a Vereador. Não pode por cavalete, não pode mesmo, não é para jogar santinho na rua, porque foi aprovada uma Lei aqui logo depois das eleições naquele “calor” todo de que uma senhora escorregou nos santinhos, se não me engano em Ribeirão Preto e se machucou. Eu quero saber aqui como é que vai ficar. Eu acho que agora a verdade tem que aparecer, quem votou a favor da proibição tem que cumprir.
Eu quero também parabenizar mais uma vez a jornalista Patrícia Lisboa pelo excelente trabalho que ela vem fazendo de divulgação das atividades da comunidade Santa Rita, confiram. É muito bom o trabalho que está sendo realizado, é uma comunidade atuante e a maior comunidade da cidade. No blog da Patrícia Lisboa é possível conferir isso daí e também em breve no “Leitor on line”, que também faz um trabalho muito bom.